dicas para tênis na quadra dura
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E aproveitando o embalo do US Open, ou Aberto dos Estados Unidos (na terra dos tupiniquins), que foi realizado agora em setembro, vamos falar um pouco sobre as quadras rápidas, ou também conhecidas como quadras duras.

No Brasil encontramos muitas quadras de saibro, mas com o aumento de condomínios com seus clubes particulares, vemos um aumento também das quadras que não sujam as meias dos tenistas (de terra, né? Não vai usar duas vezes a meia só porque tá branquinha na canela!).

Se você quiser ler todo o conteúdo, vai rolando a tela. Caso contrário, utilize o sumário abaixo para acessar partes específicas do conteúdo:

O quique da bola nas quadras duras

Quando falamos de qualquer um dos tipos de quadra, é inevitável a comparação. Geralmente, os tenistas amadores brasileiros conhecem a quadra de saibro e a quadra de “cimento”. Grama é coisa de de outro mundo! Eu nunca joguei. E você?

Imagens de quadra dura, saibro e grama

O quique da bola se diferencia devido a várias características, até mesmo dentro da mesma categoria de piso. Então podemos ter um saibro rápido e uma rápida lenta. 

Oi?

Escrevi um post sobre o saibro aqui no blog (Saibro: Um manual para melhorar seu tênis nesse piso), onde você pode ver porque há diferenças até num mesmo tipo de piso.

Dentre os pisos rápidos, também há diferenças de acordo com o material que é fabricada a quadra. E a consequência disso, é que o pingo e velocidade da bola vai variar também.

O “normal” é que no saibro a velocidade da bola seja mais lenta, mas dependendo do material da quadra dura, pode até ser que ela fique tão ou mais lenta que um saibrinho.

Em relação a esse quique da bola, aquelas subidas que ocorrem devido à rampa de areia no saibro não vão acontecer, e nem aquelas desviadas de “morrinho artilheiro” que tanto estressam os distraídos.

Montinho artilheiro no saibro
Isso não vai acontecer na quadra rápida!

Técnica e Tática

Pela diferença do quique da bola, também acabam havendo diferenças entre a forma de se jogar e a técnica que se desenvolve para atender a uma demanda tática!

Na quadra dura, como a bola em geral quica e mantém a velocidade da bola rápida mas não tão alta, o ponto de contato acaba sendo mais próximo da altura da cintura, favorecendo empunhaduras (entenda mais no post do meu blog:https://euamojogartenis.com.br/voce-sabe-sua-empunhadura/ ) mais próximas da Eastern de direita por exemplo. 

Enquanto no saibro, as empunhaduras se aproximam mais da Western de direita (mais “viradas”) devido ao pingo alto da bola.

Abaixo uma ilustração bem bacana sobre empunhadura que encontramos no blog Tênis na Serra Gaúcha:

Tipos de empunhadura no tênis

Um jogo de ataque e mais veloz é favorecido, assim como os saques potentes e as subidas à rede. 

Um jogo agressivo de fundo de quadra também é eficiente. Por isso acabamos vendo alguns jogadores se destacando em certo piso, mais do que em outros já que as características do jogador favorecem mais um ou outro piso.

O posicionamento melhor para se jogar na quadra rápida, acaba sendo mais próximo da linha de fundo, cortando ângulos e pegando a bola na subida.

No saibro é diferente. Os jogadores tendem a se posicionar mais atrás da linha de fundo. Nesse piso há muito mais chances de defesa e ou contra-ataque, pois se tem mais tempo pra chegar nas bolas.

A curtinha ou drop shot também encaixa bem, por perder velocidade, causando dificuldades para seu adversário pegar a tempo.

Movimentação

Já vi pessoas pela primeira vez no saibro que não conseguiam parar em pé! No pó de telha, que é aquela areiazinha em cima do piso, o jogador pode se sentir desequilibrado e escorregar se não estiver acostumado. O que torna a movimentação mais lenta de qualquer forma.

Em relação a movimentação, na quadra dura, um jogador pode até se sentir mais estável do que na quadra de saibro. Pois nessa superfície, o piso “segura” o pé do jogador.

Favorecendo uma movimentação mais rápida, o jogo fica mais rápido, mas também acontecem muitas lesões de membros inferiores. A quadra dura proporciona um impacto mais agressivo com as articulações de tornozelos, joelhos, e até mesmo coluna. 

O artigo sobre lesões no tênis, do fisioterapeuta da equipe brasileira de tênis em diversas competições, Ricardo Takahashi, mostra um estudo feito sobre as maiores lesões do US Open de 1994 a 2009:

https://revistatenis.uol.com.br/artigo/as-principais-lesoes-no-tenis_9588.html

Se você quer saber mais em detalhes as principais lesões no tênis, como preveni-las e dicas de tratamento, não deixe de ler os posts que o Fisioteapeuta Irineu Caixeta escreveu aqui para o Blog!

Tipos de quadras duras

Normalmente feita de concreto ou asfalto, uma quadra dura possui frequentemente uma cobertura de resina acrílica por cima. Pode ter uma ou várias camadas emborrachadas de amortecimento. E também, dependendo da quantidade de areia utilizada na última camada, pode diminuir significativamente a velocidade da bola (mais areia, mais lenta a superfície).

Também há o carpete, que já foi muito utilizado em torneios profissionais. Segundo o site da ITF, “são normalmente assentados sobre uma base de asfalto ou concreto. As quadras de carpete consistem em uma superfície têxtil de tecido ou nylon, ou um material polimérico ou de borracha, normalmente fornecido em rolos ou folhas de produto acabado” (link).

Hoje em dia a ATP (Associação dos Tenistas Profissionais) decidiu não realizar mais torneios no carpete por causa do alto índice de lesões nos jogadores. Já no WTA (Women Tennis Association) havia apena um torneio neste piso (Quebet) mas a última edição foi em 2018.

Se você deseja saber mais sobre a classificação das quadras segundo a Federação Internacional de Tênis (ITF), acesse o link a seguir para mais informações: https://www.itftennis.com/technical/courts/classified-surfaces/about-court-pace-classification.aspx

O tenista amador

Conheço muitas pessoas que gostam de jogar em quadra rápida por não querer se sujar no saibro. Não sei se quem reclama da areia é quem arruma a casa, ou os vizinhos de apartamento que identificam um rastro de terra pelo caminho do elevador. Meias escuras e um chinelinho na raqueteira resolvem esse problema.

Também, o quique da bola de forma mais regular, permite uma leitura mais antecipada. Pois nos morrinhos do saibro, muitas vezes temos que improvisar uma resposta rápida na hora.

Alguns professores argumentam que um quique regular da bola é melhor para seus alunos, mas depois se admiram com a rapidez de reação e pensamento do Roger Federer. Como se ele fosse um alienígena, e não uma criança (que um dia fez aulas de tênis) e que se sujeitou a condições adversas de treino e jogo pra se tornar um gênio das quadras. #nãoasuperproteção

Quem joga em quadra rápida, acaba gastando mais as bolinhas e solados de tênis. No saibro demora mais pra gastar. Isso em uma questão econômica e prática do dia-a-dia é muito importante. 

Mas acredito que a preferência entre um piso ou outro acaba sendo mais pelas facilidades de acesso, ou socialização com as pessoas que frequentam aquele ambiente (clube, academia, quadras públicas, condomínio).

Hoje existem materiais específicos para cada quadra, como bolas ou tênis para saibro ou quadra dura. 

Este blog da Bola de Tênis Delivery contém várias avaliações de bolas de tênis do mercado. Coloque o nome do modelo de bola na busca do blog para ler os conteúdos!

Os grand slams

Hoje em dia temos 2 Grand Slams disputados em quadra dura: o Aberto dos Estados Unidos (US Open), e o Aberto da Austrália (Australian Open).

Us Open e Australian Open são na quadra dura

Esse ano, Federer comentou que no US Open a quadra estava mais lenta mas não tinha certeza se era a quadra ou as bolas.

De qualquer forma, sabemos que essas condições não favorecem o estilo de jogo dele, que é mais agressivo e jogado em pontos mais curtos que a maioria dos outros jogadores. 

Barty concordou e afirmou que Federer tem propriedade para argumentar a esse respeito. 

O Aberto da Austrália, https://ausopen.com/ , é também realizado em quadras duras. De 2008 a 2019 foi utilizado o piso “Plexicushion”.

Roger Federer, bi-campeão do Aus Open, declarou que a velocidade da quadra esse ano, especialmente a noite, estava lenta. A partir de 2020 haverá uma mudança para o “Greenset”, https://www.greenset.net/ , que já vem sendo usado em diversas outras competições importantes. https://saqueevoleio.blogosfera.uol.com.br/2019/07/26/australian-open-de-2020-tera-piso-novo-e-claro-polemica-nova/

Curiosidades: Federer X Nadal

No dois extremos em termos de velocidade da bola, estão o saibro de Roland Garros (mais lenta) e a grama de Wimbledon (mais rápida).

Federer: 8 Títulos em Wimbledon (grama) e 1 Roland Garros (saibro)

Nadal: 12 Títulos em Roland Garros (saibro) e 2 Wimbledon (grama)

Esses títulos demonstram as diferenças entre os estilos de jogo em cada superfície, e os resultados que os tenistas tiveram em cada um desses Grand Slams.

Os 18 títulos de Rafael Nadal em Grand Slams

TorneioTítulosAnos
Aberto da Austrália12009
Roland Garros122005 a 2008, 2010 a 2014, 2017-2019
Wimbledon22008 e 2010
US Open32010, 2013 e 2017

Informações retiradas no site globo.com.

E abaixo os 100 títulos de Federer:

Os 100 títulos de Federer
Infográfico retirado de globo.com

JAIR MONTOVANI: Experiências de um jogador

Sabemos que as experiências que um jogador tem no circuito juvenil são muito importantes para sua preparação para o futuro. Muitas vezes, visando o nível profissional.

Nesse texto, contamos com as experiências do Jair Montovani, que jogou torneios no Brasil e no exterior. É sempre bom aprender com quem tem histórias pra contar!

Jair foi um dos melhores juvenis do país, terminando o ano da categoria 18 anos em terceiro lugar. Foi top 100 no ranking juvenil mundial, campeão brasileiro universitário de simples e duplas, integrou a equipe brasileira na Universíade de Daegu (Coréia do Sul) em 2013.

Como Seniors (categorias acima de 35 anos), ganhou o Australian Open de duplas, alcançando a primeira colocação do ranking mundial.

Mantém-se atualizado no mundo do tênis. Possui o título de Técnico nível 2 da ITF (Federação Internacional de Tênis) e participa de conferências sobre tênis ao redor do mundo.

Segue abaixo, as considerações desse grande jogador.

“Muitas partidas de tênis são decididas nos detalhes. Quem nunca ficou pensando em como o resultado poderia ser outro caso um ponto tivesse sido ganho, se uma jogada diferente fosse executada?

Muitas vezes, ficamos preocupados com variáveis que estão fora de nosso controle, ao invés de focarmos naquilo que está. Em geral, o piso da quadra á algo que não podemos controlar (a não ser que você seja o dono do lugar), mas podemos escolher de que torneios participar.

Os tipos de piso existentes no tênis estão diretamente ligados à planificação: no mais alto nível do circuito profissional, prevalecem as quadras asfálticas. Na América do Sul, as quadras de saibro predominam. No entanto, essa análise não se resume ao profissional: o atleta adulto amador e o infanto-juvenil também podem – e devem – adequar seu calendário e treinamento de acordo com suas habilidades e objetivos.

Por exemplo, um jogador com um saque potente, que gosta de subir à rede todo o tempo, pode dar preferência a torneios em quadras mais rápidas, enquanto que aquele que gosta de jogar se defendendo, esperando o erro do adversário, pode escolher jogar campeonatos ao nível do mar, em quadras de saibro.

Um fator extremamente relevante, que diz respeito aos diversos tipos de pisos, é o material do jogador. Quando tinha 18 anos, participei do circuito juvenil na Europa, que inclui os torneios de Roland Garros e Wimbledon. 

Para jogar o Grand Slam britânico, são necessários tênis com solado especial, próprio para a grama, mas eu não sabia isso. Se um amigo equatoriano não tivesse me vendido um par de calçado apropriado, minha participação em Wimbledon não teria acontecido.

Tênis que Jair Motovani usou em Wimbledon

Também são comuns na Europa quadras de carpete, que também exigem calçados especiais. Seja pela saúde e segurança do atleta, seja por uma exigência do torneio, é muito importante atentar-se para o material necessário, pois sua falta pode ocasionar uma lesão ou a desclassificação do campeonato.

Independentemente do nível técnico do jogador, preparar-se corretamente, escolher um bom calendário, utilizar o material adequado e entender quais as diferenças entre os diversos tipos de quadra são ações que podem transformar derrotas em uma série de vitórias. 

O ideal é que treinemos eventuais buracos em nosso jogo para que possamos atuar bem em qualquer tipo de piso, mas isso não impede que possamos fazer escolhas que nos beneficiem. “

Foto do Jair na ITF Worldwide Participation Conference em Londres em 2018

Bolas de tênis para quadra dura

Outro que colaborou com este post foi o professor Hudson Cardia que posta aqui no blog com frequência. No trecho abaixo ele comenta sobre bolas de tênis para este tipo de quadra:

Importante ficar atento a escolha das bolas para a quadra dura. Quando falamos de Hardcourt – piso duro: cimento, borracha sintética, carpete ou lama asfáltica é ideal que seja escolhida uma bola específica para esses tipos de quadras.

“Existem bolas que tornariam o jogo nesse tipo de quadra mais lento ou impraticável.

Bolas com mais feltro natural seria o ideal para quadras duras, pois além de durarem mais, o atrito com o ar aumenta, pois possuem um diâmetro maior, tornando mais propenso a deixar o jogo mais lento e cadenciado.

Wilson e Dunlop Australian Open, Wilson Us Open, Head Pro são todas direcionadas para a quadra dura, tornando o jogo praticável, com trocas de bolas mais longas e jogos mais parelhos.

É possível colocar uma boa Championship, contando que sejam 50% Natural e 50% sintético, para níveis mais amadores.

A questão da altitude influência muito, pois quando jogamos em maior altitude, as bolas pegam maior velocidade. Sendo assim, bolas como Dunlop Championship ou Babolat Trophy não são indicadas pois tem menos feltro natural e a bola fica muito rápida e o jogo incontrolável.”

Conclusão

O quique da bola, talvez seja o principal componente que se diferencia ao jogar em uma quadra rápida. A velocidade e a altura da bola depois de tocar na quadra, é reproduzida com maior semelhança e fidelidade que o saibro ou a grama. Pois no saibro a bola fica lenta e alta, e na grama, rápida e baixa.

Para se adaptar a qualquer piso, devemos entender qual a melhor forma de se jogar. Na quadra dura, o jogo mais ofensivo e o posicionamento mais próximo da linha de fundo, é uma forma eficiente para se vencer muitos jogos.

Como a velocidade de pernas é muito importante no jogo de tênis, conseguir se adaptar às condições do piso vai trazer muito mais controle da sua movimentação, e obviamente do jogo. Leia um post sobre footwork escrito pelo Hudson aqui no blog.

Apesar de acharmos que quadra dura é tudo igual, dependendo dos componentes que se coloca na fabricação das quadras como o sistema de amortecimento (emborrachado) ou a quantidade de areia na camada acrílica, a quadra pode se tornar mais rápida ou mais lenta.

Existem as preferências pessoais de cada jogador. Geralmente se leva em conta a comodidade ou grupo de amigos que frequentam determinado lugar, ou até os materiais que se utiliza, como o gasto excessivo de bolas ou tênis. 

E você? O que leva em conta para escolher o tipo de piso que vai treinar ou jogar? Conta pra gente nos comentários!

Para admirar, temos 2 Grand Slams que são realizados em quadras rápidas, o US Open e o Australian Open. 

Você pretende assistir algum deles ao vivo um dia? Se já assistiu, fala pra gente nos comentários abaixo o que achou!

Thais Hiroki

Escrito por: Thais Hiroki

Professora de tênis



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Pedro Hamamura
Pedro Hamamura
1 ano atrás

Muito claro, preciso e faz ótimas referências com as diversas variáveis como tipo de bola, calçados, footwork … Parabéns , ótima matéria e muito útil !

Ricardo
Ricardo
1 ano atrás

Nao entendo a preferencia dos brasileiros pelo saibro. É um piso horrivel, demanda manutençao a cada partida jogada, é um piso q varia de acordo com o tempo, tem muitos quiques ruins da bola, escorrega muito, principalmente se estiver seco, alem de ser esteticamente feio. Aliás, uma quadra de saibro seca e coberta é o pior q podemos encontrar.
Na minha o opiniao, poderiam cimentar todas as quadras de saibro do mundo.