trocar cordas da raquete
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E vamos lá para mais um desafio que o Eduardo (proprietário da Bola de Tênis Delivery, que mantém este blog) insiste em me propor.

Falar sobre materiais de tênis não é a minha especialidade, mas como tenista, posso dizer algumas coisas pela experiência dos longos anos que ando pelas quadras (30 é longo?) 

Antes de você começar a ser detalhista e prestar atenção nas suas cordas, você não tem ideia da diferença que ela pode fazer em uma partida.

A gente assiste os jogos dos profissionais e vê aqueles caras com 10 raquetes na raqueteira, e pensa: “Cara exibido! Só pra mostrar que tem patrocínio bom!”

Mal sabemos que ali, tem raquetes que variam a tensão das cordas em pouquíssimas libras, mas isso pode ser a grande diferença do cara vencer a partida ( e ganhar mais alguns milhares de dólares), ou jogar todas no alambrado.

Uma libra dá diferença?

A medida da tensão das cordas comumente usada, é em libras. 

As máquinas digitais têm a precisão de medir de meia em meia libra.

Máquina digital de encordoamento de raquete

Acho interessante quando pergunto a um tenista: “Quantas libras você usa?” E a resposta é: “Sei lá!”

Da mesma forma como eu também já usei qualquer corda pra jogar. Tipo: qual está em promoção?

Hoje acho um pecado, e sei que se eu for para um torneio com minha raquete “desregulada”, com uma corda que não gosto e com a libragem errada, algo de muito ruim pode acontecer no meu jogo…(drama de tenista)

Poucas libras pra mais ou pra menos podem fazer uma bela diferença.

Pouca tensão e muita tensão

A velha pergunta: “Se eu colocar menos libras a bola vai mais fraca, e se eu colocar mais libras, a bola vai mais forte?”.

Engraçado que eu já ouvi essa “dedução lógica” várias vezes. E a resposta é NÃO.

Quando colocamos menos tensão nas cordas, a corda faz um efeito elástico, o que propulsiona a bola com mais potência (sem fazermos tanta força).

Do contrário, quando deixamos a corda muito esticada e tensionada, a bola não sai tão fácil da raquete, o que nos dá mais controle. Mas pagamos o preço de ter que fazer muita força pra bater na bola.

Aqueles que usam o tênis em substituição às sessões de terapia, eu vejo fazer isso: tensionam a corda no talo, daí chegam na aula e ficam batendo na bola igual a uma luta de boxe. O cara manda todas pra fora, sai feliz da vida, e o professor não entende nada o que aconteceu.


Lesões

Muitas pessoas que tem tendinite no cotovelo são aconselhadas a usar tensões baixas, justamente pra não ter um impacto forte e assim não transmitir essa vibração para a articulação machucada.

Com a tensão baixa, a bola sai mais fácil da raquete. Sem ter que fazer tanta força.

Outra forma de amenizar esse impacto é usando um tipo de corda que é mais macia.

Minha amiga Paula, idealizadora da Match acessórios foi aconselhada pelo fisioterapeuta para usar 45 libras.

Esse é um exemplo típico de quem já sofreu tennis elbow, assunto que foi tratado duas vezes aqui no blog:

Como evitar a lesão mais conhecida no mundo do tênis

Prevenção e tratamento da lesão “cotovelo de tenista”

Os tipos de corda

A corda mais macia e mais comum, é o multifilamento. Por ela ter multi filamentos (né?) ela acaba desfiando linha por linha, até acabar estourando. Geralmente tem um custo alto, comparada com sua durabilidade. Mas é realmente uma delícia jogar com esse tipo de corda!

Corda multifilamentos
Corda multifilamentos

O nylon é um tipo de corda mais simples, com um custo baixo. Antigamente (quando eu era adolescente já é antigamente pra mim) não tínhamos tanta opção. Eu só usava nylon. Hoje, nem pensar.

Corda de nylon

Corda de nylon

Sei até que a geração anterior à minha usava linha de pesca. Não é lenda! Ou pelo menos, eu acreditei na história!

A tripa sintética é bem comum de ver os tenistas amadores usando. É uma corda macia, com um custo intermediário.

Tripa sintética
Tripa sintética

Se o tenista costuma quebrar a corda frequentemente, o ideal seria ele fazer uma híbrida.

Na híbrida ele pode usufruir da maciez de uma corda como a tripa sintética, e da durabilidade de um poliéster ou co-polímero

E já que falamos deles, o poliéster e o co-polímero tem várias semelhanças entre si. 

É aquela cordinha que parece que nem mexe na raquete! Elas ajudam a controlar os efeitos, o que é muito legal para os tenistas que evoluem seu jogo. 

Porém tem que tomar cuidado, pois são muito duras para o braço, e não é raro ver algum tenista detonando o cotovelo por ter se precipitado em usar um tipo de corda desse sem estar preparado. Se colocar tensão alta então, pode acontecer um desastre e seu ortopedista te liberar pro joguinho dali 3 meses só.

O co-polímero é uma tecnologia mais recente, e tem sido amplamente utilizado pelos profissionais.

O poliéster e o co-polímero permitem o “abuso” da força e do top spin. Quando se bate com velocidade e muito top spin, quebra-se mais cordas. Então, tanto para favorecer o uso dos efeitos, quanto para uma melhor durabilidade, usa-se esses tipos de encordoamento.

Também os profissionais gostam de mesclar sua raquete, usando um co-polímero e uma tripa natural. A tripa natural é uma corda de alto custo e baixa durabilidade. Por isso é boa a opção de usar de forma híbrida.

Lembrando que quando usamos a corda híbrida, colocamos a corda que dura mais tempo, nas cordas verticais, pois é ali que costumam quebrar.

Espessura da corda

A espessura da corda é também um fator importante para sua escolha. Ela é medida em gauge (ou espessura ou calibre) que varia entre 15 e 19 que também são medidas em milímetros 1mm a 1,49mm. As espessuras mais tradicionais no tênis varia de 1,23mm e 1,30mm.

Tabela de equivalência de Gauge para milímetros
Tabela de equivalência de Gauge para milímetros

Via de regra as cordas mais finas dão mais velocidade à bola mas oferecem menor controle enquanto as mais grossas melhoram o controle mas com menor velocidade. As finas são menos duráveis mas aceleram o spin e as grossas mais duráveis e com spin menor.

Gauges

Quando se usa uma corda macia, podemos usar uma espessura maior, como a 1,35 mm ou a 1,30 mm. Também quem costuma quebrar muita corda, pode optar por essas. Lembrando que se a corda é grossa, solta menos a bola.

A espessura de 1,25 é uma espessura média, quase que normal (se é que existe alguma normalidade no mundo do tênis).

Porém, quem tem tendinite como eu, pode optar por usar uma espessura mais fina pra aliviar a vibração no braço. 

Eu no momento, tenho usado 48 libras, e corda com espessura 1,18 mm. Quando eu comecei a estourar muita corda, resolvi aumentar de pouco em pouco, e cheguei nas 53 libras. Resultado: estourei o braço de novo. #ficaadica.

O quadro abaixa resume a característica das cordas em relação ao seu objetivo:

Quando trocar as cordas?

As cordas costumam ressecar e perder tensão com o passar do tempo. E claro, que quanto mais for usada, esse desgaste é acelerado.

Eu acho que em 3 meses, já percebemos bastante diferença nas cordas. E quando isso interfere nos nossos golpes e no nosso jogo, o ideal é trocar as cordas.

Ouvi uma orientação do Jairo Garbi, especialista em raquetes. Ele aconselha a trocar as cordas de acordo com o número de vezes que o tenista joga por semana. 

Por exemplo, se você joga 3 x por semana, troque a corda, 3x ao ano. 

Achei bem legal, mas pra mim, o lance dos 3 meses faz mais sentido, por perceber muita diferença quando a corda está novinha e adequada ao perfil do jogador!

Conselho de amiga

Se conselho fosse bom, não se dava.

Se você quiser aceitar, lá vai. 

Procure se acostumar com uma tensão baixa de corda. Se você conseguir controlar a bola em jogo com uma tensão baixa, isso será ótimo, pois as cordas farão parte do esforço em acelerar a velocidade da bola.

Naquela época que eu era adolescente (antigamente), eu usava 62 libras com uma raquete que era um pau. Muitos hormônios e energia de sobra.

Os tempos mudam, as pessoas envelhecem. Só o Benjamim Button que não.

Então, se o tempo passou, acostume-se com algo adequado ao seu biotipo, ao seu nível de jogo e condicionamento físico.

Também vejo algumas pessoas comprando uma excelente raquete e na hora de colocar a corda, pedem qualquer uma! Assim não dá, né?

Conclusão

Existem diversos tipos de corda, mas provavelmente existem poucas que se encaixarão em cada perfil de tenista.

O tipo de corda e a tensão da corda são importantíssimos tanto para a performance, quanto  para a preservação da saúde do seu braço.

Um detalhe pequeno como a espessura, também é fator a se considerar quando se escolhe a corda ideal pra você.

Não é porque você não quebra as cordas que não precisa trocá-las. Trocar as cordas no tempo adequado pode ajudar a desenvolver o seu melhor jogo!

E você? Tem alguma experiência pra trocar com a gente sobre suas cordas? Conte pra gente aqui nos comentários!

E se gostou do post compartilhe com seus amigos tenistas!


Thais Hiroki

Escrito por: Thais Hiroki

Professora de tênis



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Sérgio Giannini
Sérgio Giannini
1 ano atrás

Boa noite. Tente tirar 1 libra a cada troca de cordas até achar uma tensão ideal p vc, conforto e controle nas batidas. Realmente não somos o Benjamin. Sérgio Giannini 53 anos Tenista regular há 10 anos. Obs: não troco minha Pure Drive por nada nesse mundo

Frederico
Frederico
1 ano atrás

Tenho 57 anos, jogo desde os 14, jogo 2 vezes por semana, uso 44 libras e cordas macias, minha raquete é a boa e velha head liquid metal de 270 gramas que não troco por nenhuma dessas novas.
Baixei as libras à medida em que comecei a envelhecer. Quanto menor a pressão melhor é o jogo tanto em termos de conforto quanto em precisão.

SERGIO DYTZ
1 ano atrás

Excelente. Jogo a 40 anos e sempre tive dúvidas sobre esse assunto. Parabéns.

SERGIO DYTZ
1 ano atrás

Excelente matéria. Jogo a 40 anos e tinha dúvidas sobre o assunto. Parabéns.

Samuka
Samuka
1 ano atrás

Bem legal o post ! Eu após cada treino ou jogo, passo óleo mineral com uma esponja. A durabilidade aumenta.

Samuka
Samuka
1 ano atrás

Legal o post !
Após treino ou jogo, passo com uma esponja óleo mineral nas coradas. Aumenta a durabilidade,

Nelson Mikami
Nelson Mikami
1 ano atrás

Thaís obrigado sempre com ótimas, aliás ótimas é poucas, com botimas dicas. Engraçado que quando a minha corda estiver na eminência de rebentar, sinto que o meu jogo melhora um pouco. Será que eu estou usando a tensão acima do normal?

Sergio moricazu Miyazato
Sergio moricazu Miyazato
11 meses atrás

Excelente artigo, apenas acrescentar que a tensão e rigidez das cordas varia de acordo com a temperatura, o que reforça a sua informação de que é interessante ter duas ou mais raquetes com cordas de diferentes pressões, e também a eficácia varia de acordo com o tipo de piso. Para os que tem mais sensilidade no toque, recomenda-se trocar as cordas após 20 a 30 horas de jogo, principalmente qdo se usa “spin mais pesado”. Tenho parceiros no clube que usam o semi-western e a corda se rompe a cada 2 a 4 hs, já os que usam o continental trocam após mais de 1 ano, pasmem.

João Paulo Pereira contra
João Paulo Pereira contra
10 meses atrás

Meu nome é João Paulo e sou tenista e encirdoador também, tenho uma máquina babolat eletrônica e gostei muito das observações.
Como tenista tenho a comentar que eu tenho 63 anos e sempre usei raquete pesadas e libragem alta.
Minha raquete atual pesa 335 gms sem corda e uso 62 lbs e a corda que eu uso é um co-polimero 1,25.
A minha opção foi por mais controle e a potência acabo usando o peso da raquete para me ajudar na potência.
Por incrível que pareça eu nunca sofri uma lesão nem de ombro ,cotovelo e quando tentei mudar para raquete mais leve e baixar a libragem tive uma dificuldade tão grande que cheguei até em pensar a para de jogar , pois não acertava mais nada.
Foram os 6 piores meses como tenista.
A conclusão que eu tiro é que cada caso é um caso e como o meu caso eu acabo indo em sentido contrário ao lógico.
Gostaria de algum comentário sobre essa minha situação

Marcelo Garcia de Oliveira
Marcelo Garcia de Oliveira
7 meses atrás

Gostei bastante das dicas. Eu uso a minha híbrida. Poliéster com nylon e 53 libras